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Página inicial News BRASPEN Atualização em TN Nutrição enteral plena vs hipocalórica no paciente crítico

Intenso debate nos dias de hoje se estabelece em termos da quantidade de calorias e proteína que o doente crítico deve receber no momento de maior catabolismo e inflamação. Este período costuma durar 3 a 5 dias, podendo se estender a 7-10 dias. A maior parte dos estudos que geram consenso hoje são observacionais, de maneira que este é um tema em aberto ainda. Defensores da manutenção da composição corporal (administrando dieta completa, que atinge metas) na fase crítica de doentes graves estão divergentes em relação àqueles que defendem uma quantidade mínima de nutrientes nesta mesma fase, visando apenas manter o trato digestório em sua estrutura (alimentação trófica).

Provavelmente a conduta em termos de terapia nutricional será cada vez mais individualizada, de maneira que no futuro doentes queimados, sarcopênicos, cirúrgicos, politraumatizados, obesos, etc., terão o delineamento de suas terapias ajustados para suas respectivas condições. Esta revisão sistemática com meta-análise teve por objetivo identificar uma estratégia de nutrição referente a dose de nutrientes em doentes críticos submetidos à ventilação mecânica e candidatos a nutrição enteral isolada que determinasse melhora em desfechos. A dose de nutrientes era “full” quando a oferta era igual ou superior a 70% do calculado, e era hipocalórica quando inferior.

Frente a importante heterogeneidade das ofertas na população “underfeeding”, dois estratos foram avaliados: hipocalórica moderada, quando da oferta oscilando entre 40-70% do estimado e hipocalórica trófica quando menos. As estratégias de busca incluiram buscas no MEDLINE, EMBASE, SCOPUS, COCHRANE, periódicos que publicam nutrição e referências bibliográficas dos artigos lidos na íntegra. Isto gerou 904 papers e após a exclusão das duplicatas, revisões, estudos observacionais e artigos com terapia nutricional parenteral combinada restaram 5 estudos prospectivos e controlados. Nenhum estudo era duplo- cego e em um deles poderia ter ocorrido viés de seleção. Os dados mais importantes estão representados abaixo:

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As estratégias de alimentação “full” e hipocalórica foram equivalentes em termos de mortalidade. Entretanto, quando a população “underffeding” foi estratificada (análise de subgrupo), redução da mortalidade hospitalar foi observada nos doentes submetidos a hipoalimentação moderada. Esta revisão também demonstra que a estratégia de “underfeeding” é melhor tolerada pelos doentes críticos, o que não surpreende os intensivistas acostumados a manejar esta população.

Estas conclusões devem ser cautelosamente analisadas, frente ao baixo número de estudos arrolados. Entretanto, a literatura como um todo em termos de tratamentos do doente crítico (incluindo terapia nutricional), tem demonstrado que menos é mais. Este é o terceiro estudo consecutivo de nosso grupo que demonstra uma certa superioridade de estratégias mais contidas em termos de repleção nutricional, onde a meta para o momento de maior inflamação do doente crítico oscile em torno de 20kcal/kg/dia. Estudos prospectivos devem ser conduzidos neste segmento para elucidar melhor estas estratégias.

Por: Sergio Loss

Fonte: Franzosi OS, Frankenberg AD, Loss SH, Nunes DSL, Vieira SRR. Nutr Hosp 2017; 34(1):19-29