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Página inicial News BRASPEN Artigos comentados sobre TN Nutrição em pacientes críticos: Em que ponto estamos?

Quando começar e qual a via?

Sabe-se que a utilização da via enteral para alimentação visa além da nutrição em si a proteção da mucosa intestinal para prevenir sua atrofia e evitar translocação bacteriana. Assim, a grande maioria dos especialistas concordam que a nutrição enteral deve ser indicada o mais precocemente possível desde que não haja contraindicação absoluta a sua utilização. Em outras palavras, a via enteral deve ser privilegiada durante a fase inicial (primeiros 3-5 dias) da doença crítica para proteger o trato gastrointestinal, já a quantidade adequada de nutrientes deve ser o principal objetivo em uma fase posterior (após o quinto dia).

 

Quantas calorias?

Este é provavelmente o tema de maior debate atualmente. O antigo conceito de que as necessidades energéticas seriam iguais ao gasto energético deixa de fazer sentido frente ao fato de que a produção endógena de glicose e energia após uma lesão aguda grave não pode ser inibida pela administração exógena de nutrientes. Na teoria, a necessidade energética deveria ser calculada pela diferença entre o gasto energético e a produção endógena de energia, porém, não existe ferramenta para o cálculo da energia produzida de maneira endógena.
A maior parte dos estudos recentes que compararam diferentes quantidades de calorias fornecidas na fase aguda da UTI falharam em mostrar qualquer efeito da quantidade de calorias no desfecho primário. Já, durante a fase de recuperação (após o quinto dia na maioria dos pacientes), o aumento da oferta energética parece ser a melhor escolha.
Em resumo, as evidências disponíveis suportam uma menor oferta energética em uma fase inicial e uma maior provisão de calorias com o objetivo de alcance do gasto energético durante uma fase mais tardia. A quantidade ótima de oferta de energia durante a fase inicial, infelizmente, ainda não está definida.
Quanto de proteínas?

Este é outro tema muito discutido, especialmente quando considerada a importância do resultado a longo prazo e da qualidade de vida do paciente. Na verdade, ambos estão relacionados a magnitude da perda da função e da massa muscular. Algumas descobertas recentes mostram associações entre maior ingestão de proteína (> 1,2 g de proteínas / kg / dia) e melhor resultado funcional. Por outro lado, outros relataram associações entre a ingestão elevada de proteínas e a inibição da autofagia, o que talvez pudesse explicar efeitos tóxicos relacionados a uma estratégia agressiva de nutrição na fase aguda da doença grave.
Como avaliar a relação benefício-risco?

Este é provavelmente a questão mais importante, mas também a mais difícil de responder. Mortalidade e tempo de permanência são fáceis de quantificar, mas pode ser influenciada por muitos outros fatores de confusão para os quais um ajuste estatístico seria perigoso; Da mesma forma, a morbidade infecciosa dificilmente pode ser diretamente beneficiada pela nutrição, quando os pacientes que não estão imunocomprometidos. Assim, as variáveis funcionais a longo prazo provavelmente seriam os desfechos mais adequados a serem buscados com a terapia nutricional uma vez que a perda de músculo pode ser parcialmente impedida durante fase tardia por uma quantidade suficiente de calorias proteínas associadas a atividade física.
Por: Melina Castro

Referência Bibliográfica:
Preiser JC, Taccone FS. Nutrition in critically ill patients: where do we stand? Minerva Anestesiol. 2016 Aug; 82 (8):908-13. Epub 2015 Oct 22.
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